segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

"Grave e estável"

Lendo alguns veículos de língua portuguesa sobre o recente e triste atentado ao presidente do Timor-Leste, José Ramos-Horta, percebi que boa parte destaca a expressão médica "grave e estável" para descrever o estado de saúde do ganhador do Nobel da Paz de 1996 (compartilhado com o bispo Carlos Filipe Ximenes Belo).

Entendo que os boletins médicos queiram expressar que, apesar da gravidade, o quadro geral se mantém em estabilidade, sem grandes alterações. Vá lá... Mas acredito que a expressão deveria ser acompanhada de um mínimo de explicação. Tarefa, naturalmente, não dos médicos, mas de nosotros.

De toda forma, colocar num mesmo nível a 'gravidade' e a 'estabilidade' soa, no mínimo, estapafúrdio. Assim como dispor na mesma vala "calmo" e "possíveis distúrbios", como reportou o blog Timor-Online.

Vocês concordam? Ou será que estou sendo preciosista ou ranzinza demais? (Caso positivo, relevem, deve ser fruto da segunda-feira).


Resta esperança:

Apropo: abaixo, letra da canção East Timor, libelo a favor da libertação do então Timor-Leste da Indonésia.

(por Henning Kramer Dahl,Havard Rem,Morten Harket)

EAST TIMOR
Sandalwood trees are evergreen
Cut them down
Plant coffee beans
Build no schools
Construct no roads
Mark them as fools
Let ignorance rule
Leave them stranded on their island
Treat them to the tune of silence
Red is the cross that covers out shame
Every Kingdom, every land
Has it's heart in the common man
Silently the tide shifts the sand
Bury my heart on East-Timor
In coral sands
On golden shores
Buried are those
Who lived their lives
No place to hide for
Father and child
Leave them stranded on their island
Treat them to the tune of silence
We shake the hands that kill and forgive
Every Kingdom, every land
Has its heart in the common man
Silently the tide shifts the sand
Bury my heart on East-Timor
On barren graves
Where flowers won't grow
Blooms our Red cross lovingly
This nightingale deed
So we can be free
Stranded on their island
This army of the silent
We toast our own goodwill and forget
Every kingdom, every land
Has its heart in the common man
Silently the tide shifts the sand

5 comentários:

Ana Aragão disse...

Oi Adri, acho que o Horta pode fiemesmo estar "grave e estável". Não são excludentes, nem incongruentes. Acontece é que nós fomos nos acostumando a compreender estável como sendo uma coisa positiva. Outro dia, em sala de aula, um aluno que atua na produção de um telejornal local, comentou isso: "como o cara pode estar 'estável' e morrer no outro dia?". Neste ponto concordo com você, cabe a nós esclarecer isso aos leitores dizer que é grave, mas sem evolução (daí podem achar que está melhorando?). O estado é grave e sem alteração... ?

adriana santana disse...

Oi, Aragão. Realmente, uma coisa nção exclui a outra, por princípio. Mas que soa estranho, isso soa, né?

O caso me lembra a eterna celeuma "risco de morte" x "risco de vida". Não sei por que cargas d'água o noticiário, de uns tempos pra cá, resolveu atacar de "risco de morte". Qual é o problema em manter a expressão, muito mais clara, "risco de vida"? Que de forma alguma está errada, conforme insistem alguns. Sobre o tema, achei um artigo bem interessante no endereço:

http://www.igutenberg.org/atualfrases.html

Ana disse...

Adri
minha irma que é linguista, acha um absurdo dos absurdos esse decreto global de por fim à expressão "risco de vida". Duvido que alguém, com QI normal e falante da lingua portuguesa não entenda o que significa risco de vida. A língua fica mais pobre, sem suas expressões proprias. A próxima vitima disso deve ser o "pois sim" e o "pois não". O primeiro, que está afirmando, nega. O segundo afirma. "Isto não existe", dirão os donos da língua e os que usam a lingua como instrumento de dominação. Vou olhar o site. Bjs

manhã clara disse...

Olá, desculpem meter-me na conversa, mas o que fundamentalmente se escreveu por aqui foi que o estado do PR timorense era "grave, MAS estável". Claro que é a linguagem da fonte médica(que se deve evitar), mas neste caso dá a seguinte pista ao leitor: apesar de o estado ser grave, o doente está estabilizado e não é de prever que morra.
Por isso, não me parece mal.
Um abraço.

Adriana Santana disse...

manhã clara, acho que me excedi mesmo. estava ranzinza demais em não aceitar a expressão. perdoe-me, foi efeito da segunda-feira! :) abraços e obrigada pela visita!