sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

groupie literária

o autógrafo não foi para mim, mas e daí?


Se houvesse um grupamento humano caracterizado pela quase veneração a determinados textos, linhas de pensamento ou estilos de escrita, certamente eu seria voluntariamente enquadrada na categoria de 'groupie' de GGM, Rubem Braga, Machado de Assis e Fernando Pessoa. Dessa forma, não resistirei a postar um excerto do discurso de um deles. O colombiano. Acerca, naturalmente, 'del periodismo'.

Como estou às voltas com uma penca de artigos para serem entregues anteontem, perdoem-me pela ausência de posts sobre minha pesquisa. Eles voltarão dentro em breve. Aguardem. E fiquem com Gabo:

"Toda a formação (do jornalista) deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro". Discurso completo aqui.

*Em tempo: quem assistiu à versão cinematográfica de Cem Anos de Solidão decerto quase teve uma síncope, como eu, ao escutar a voz de taquara engasgada de Shakira a 'embalar' alguns momentos da trama. Medo, muito medo! A quem interessar possa, crítica no Cine Repórter.

4 comentários:

Marcelo disse...

Eu assisti ao filme em outubro ou novembro, no festival de cinema de São Paulo. Achei meio constrangedor. Novelão mesmo.

eduarda disse...

Gabo é o cara! ‘Cem anos de solidão’ e ‘O amor nos tempos do cólera’ foram, sem dúvida, alguns dos melhores livros que eu já li, tendo o segundo me tocado ainda mais que o primeiro. Não vi a versão na tela grande e, ao que parece, foi sorte minha não ter visto. Interessante essa história de ‘groupie’ literária. Além de Gabo, eu seria ‘groupie’ de José Saramago, Clarice Lispector e Graciliano Ramos. Caso contrário, nada feito. ;)

“Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. Eu sei que isso aqui não é um ‘consultório’ nem nada, mas quem não sabe se nasceu pra isso e, definitivamente, não está disposto a viver SÓ para isso, faz o quê? Agora é a minha vez de dizer: medo, muito medo!

Adriana Santana disse...

eduarda, já tive meus momentos de acreditar estar no lugar errado, bem como foram várias as vezes em que eu 'sabia' pertencer de fato a essa profissão. minha relação com o jornalismo nunca foi morna, e sim, sempre extremada. pensei que minha migração à academia fosse fuga, mas qual o quê? não consegui sequer cogitar a possibilidade de pesquisar nada que não fosse o jornalismo. minha paixão ainda não arrefeceu. talvez tenha virado outra coisa, porque não toparia mais me dedicar 100% a uma redação. a maternidade, nessas horas, fala mais alto.

eduarda disse...

Adriana, acredito que a maternidade é motivo mais do que justo para que uma pessoa não queira mais se dedicar 100% à profissão que abraçou. A maternidade, aliás, deve ser algo tão absolutamente encantador, que me assusta. Por outro lado, quando o encanto de ser mãe ainda é uma possibilidade distante e se vive no frenesi na acadêmia, quando a paixão pela profissão deveria ser arrebatadora e, ainda assim, brotam as incertezas e acredita-se estar embarcando no barco errado, o medo é bem maior. Talvez seja uma boa dose de insegurança e uma outra boa dose de falta de talento. O consolo é que estar perdido é o primeiro passo para se achar, menos mal.