quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

aprendendo a ser óbvio

Perdoe-me, mestre Nelson, porque pequei. Caí na obviedade e gostei!


Reparem bem, camaradas. As grandes sacadas, aquelas realmente geniais, geralmente são, partem ou têm a intenção de ser ingênuas e simples obviedades. Nada mais cientificamente belo do que transformar num claríssimo e curto conceito algo de uma complexidade e profusão espantosas. Vide as fórmulas mais conhecidas, ao menos a leigos como a pobre missivista deste outro lado da tela, como a famosérrima e decoradíssima cria que se atribui a Herr Einstein, e=mc2. O cara (ou quem quer que tenha vindo antes) conseguiu materizalizar a relação entre energia e massa em apenas cinco caracteres... É para poucos. Poucos e iluminados. Como Nelson Rodrigues, sentenciando que "só os profetas enxergam o óbvio".

Particularmente, e agora falando da minha seara (jornalismo e academia), me aborrecem demais artigos empolados, chatos e embolorados, que dão mil voltas em torno do próprio umbigo só para destilar palavras pouco usuais e conceitos cabeçóides. Trocentas linhas para comentar o quão azul pode parecer o céu desta noite. Descontando os exageros da minha mente perversa e ranzinza, não é de todo difícil se deparar com textos similares, as senhoras e senhores hão de concordar comigo.

Assim sendo, decidi postar uma obviedade muito legal que eu encontrei num livro já 'antigo' (MEYER, Philip. A ética no jornalismo: um guia para estudantes, profissionais e leitores. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989), mas recheado de conceitos simples, que dizem tanto - e de modo tão redondinho - sobre o fazer jornalístico. Este trechinho (editado) trata do que ele chama de "Código Oculto dos Jornalistas". São apenas cinco itens, mas que parecem resumir boa parte da nossa realidade profissional. Quero ser assim, literariamente econômica, quando crescer.

1) a história originada por outro veículo nunca é tão jornalisticamente valiosa quanto a feita pelo nosso
2) os jornais são escritos para outros jornalistas, não para o leitor em geral
3) evitar admitir diretamente um engano
4) publicar sempre, independentemente do custo (“dormir com matéria é acordar com furo”, comentário meu)
5) máxima: se envolve dinheiro nessa história, provavelmente é ruim (partindo do sofisma: "Repórteres são boas pessoas. Repórteres nunca têm nenhum dinheiro. Portanto, o dinheiro é ruim"

8 comentários:

Marcelo disse...

Mestre Philip Meyer é fascinante por sua profunda simplicidade. Já leu o "Precision Journalism" dele? Eu li na metade da graduação, depois de achar empoeirado na biblioteca da faculdade, e mudou minha forma de ver o jornalismo. Acabei fazendo da minha monografia uma grande pesquisa sobre o que pensa o mestre.

Adriana Santana disse...

marcelo, o 'precision journalism' está na minha lista de necessidades de leitura para o primeiro semestre. também achei esse 'guia ético' esquecido na biblioteca da universidade, e me encantei. vc tem sua monografia digitalizada?

Eduarda disse...

Cheguei a outra conclusão ao ler o texto: Repórteres são boas pessoas. Repórteres nunca têm nenhum dinheiro. Portanto, ser boa pessoa é um mau negócio.

Bondade nunca foi o meu forte, ainda bem. ;)

Marcelo disse...

Tenho sim, mas depois de alguns anos eu tenho achado várias falhas no material. Estou transformando em livro, pra publicar neste ano, e seria uma honra enviar pra ouvir tua opinião a respeito.

Adriana Santana disse...

eduarda, engraçada essa relação 'se tem grana no meio = ruim'. infelizmente, nunca tive talento pra ganhar dinheiro. eu e uma penca de jornalistas do meu entorno. :) mas não sou do time que subestima o vil metal, não. pelo contrário. e acho que martinho lutero já resolveu o lance da culpa em amealhar dindim lá com a reforma.
marcelo, muito legal a idéia do livro. ficarei feliz em poder lê-lo.

eduarda disse...

Pois é, Adriana, pra alguma coisa a Reforma Protestante e as 95 teses escritas por Martin Lutero deveriam servir. Que fosse, então, pra amenizar a nossa culpa em relação ao dinheiro. Brincadeiras a parte, acho mesmo que ganhar dinheiro não é talento de jornalista. Profissão injusta, essa, uns com tantos, outros com tão poucos. E agora então, que Jornalismo virou moda, em qualquer faculdade tem e todo jovem quer fazer, a coisa parece estar ainda pior.

AD Luna disse...

oiee, amiga adriana!

bem, to aqui em sampa há cinco anos. e uma dica para jornalistas que "NÃO têm medo de ganhar dinheiro" é o novo conceito que está bombando no mundo da propaganda: a comunicação por conteúdo e TV na internet.

não vou me alongar muito no assunto mas seguem alguns links nos quais tenho me envolvido (e muitos outros jornalistas, inclusive que trabalham na mídia "comum").

www.showlivre.com/maonamassa

http://www.tvmelhoresfranquias2007.com.br/index.htm

http://www.oi.com.br/data/Pages/86B80CD6PTBRIE.htm

beijos

Adriana Santana disse...

adelson, valeu pelas dicas. vou acessar e aprender. beijos!