sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

sobre construções coletivas e afins


Apesar do graaande risco de chover em chão já bastante molhado, encharcado mesmo, não posso me furtar a comentar como a idéia da 'construção coletiva' parece ser, realmente, a parte mais fascinante e imediata de espaços como blogs.


A postagem que eu havia programado para agora versava sobre algo bem diferente (que ficará para amanhã), mas a questão proposta pela leitora (?) Eduarda me obriga - que bom! - a desviar da rota e refletir acerca da seguinte proposição:

"(...) me veio uma questão que queria dividir contigo: será que não falta mais Literatura nas redações? Será que a falta de apuração não é também decorrente da falta de preocupação com o texto em si e o cuidado estético que deveria existir com ele?"

Não sei se me arriscaria a vaticinar a pouca Literatura com uma das 'causas' para o descuido com a apuração, mas decerto também não faço pouco caso dessa hipótese. Não consigo mesmo descolar uma coisa da outra. A combinação parca + pobre + inconstante leitura tem tudo para descambar, no mínimo, para uma produção textual igualmente medíocre.

Impossível não lembrar de um antigo colega de labuta, o qual se recusava a consultar o Aurélio, distante apenas algumas braçadas da sua mesa, sob a alegação de que "não se podia perder tempo" no jornalismo. Ironia ou conseqüência, o fato é que o tempo dele já passou...

2 comentários:

Eduarda disse...

Acho mesmo que ninguém vai longe sem leitura, em nenhuma profissão, no Jornalismo muito menos. Vejo ligação entre a falta de interesse pela apuração e a pouca Literatura nas redações pelo simples fato de que quando não há preocupação com a construção estética do texto e o conteúdo do mesmo pode ser medíocre, como você mesma disse, também não há a necessidade de investigar. Ora, se qualquer coisa que eu escrever o leitor vai consumir, pra quê, então, eu vou me preocupar em apurar melhor os fatos, reescrever os releases, falar com todos os lados interessados? Parece ser um processo cíclico, no qual alguns profissionais, como o tal colega que você mencionou, se julgam detentores exclusivos do poder de informação e se utilizam do pouco tempo para justificar o descaso com o texto, com a profissão e, consequentemente, com o leitor. São o que Zuenir Ventura chamou de “arrogantes do saber”.

Marcelo disse...

Eu não acho que seja exatamente falta de literatura. Parece-me que isso e a falta de leitura são aspectos de um fenômeno que eu classificaria como falta de curiosidade. Quando a gente lê uma entrevista ping-pong, dificilmente vê o repórter pedir detalhes sobre a resposta (com um "por quê", "como assim", etc). Não sei o que leva a isso. Pessoalmente, estou olhando aqui todo dia pra ver aonde a reflexão da Adriana vai chegar.