terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Diga 33!
Porque hoje no céu Vênus entrou em Aquário - e eu não faço idéia do que isso signifique -, e porque não sou de guardar segredos (vide a profissão que abracei), brado logo aos quatro ventos que chegou a minha vez de dizer 33. E, reparem só a audácia, ainda me sinto com 16. Não sei se isso é bom ou ruim, mas feliz eu sei que estou. Se não for muita infâmia uma auto-indulgência, permitam-me que solte um "meus parabéns a mim"!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
A Santa do Oiteiro
Chamem-me antiquadamente crédula, espiritualmente piegas, mezzo espírita/mezzo católica, ecumênica ou simplesmente simpatizante das coisas imateriais e não comprováveis. Podem me enquadrar em qualquer dessas classificações, que nenhum mal estarão me fazendo. Na verdade, confesso de peito aberto que me amarro na Santa do Oiteiro de que falo no título deste post. "Cêça", no linguajar doce dos devotos recifenses, oficialmente conhecida por Nossa Senhora da Conceição, cujo dia de hoje, 08 de dezembro, é dedicado em sua homenagem no país inteiro.
A imagem de Ceça, aqui no Recife, fica localizada no morro homônimo, próximo da minha casa, zona norte. Tenho a sorte de (quase) espreitá-la todos os dias, da área de serviço do meu apartamento. A imagem tem quase seis metros, mas a distância e os prédios acabam impedindo minha visão total. A gente sempre trava umas conversas interessantes - com muitos pedidos, igual número de agradecimentos e troca de olhares (tudo bem, sou em quem olho, ela só aceita o olhar em sua direção).
Há 33 anos, minha mãe, grávida de 9 meses, subiu o morro (numa maldade bem intencionada do meu pai) para agradecer pela minha chegada, que viria menos de um dia depois. Há 7 anos, eu me casava no mesmo dia, pois não me imaginaria participando de qualquer ritual de passagem que fosse caso não estivesse sob a sua bênção.
Não tenho vergonha de dizer essas coisas, mesmo num espaço acadêmico e correndo o risco de ser ridicularizada pelos meus pares. Cresci vendo os romeiros de azul e branco, decorei e cantei à exaustão a belíssima versão de uma agência de publicidade para o hino da santa (incessantemente veiculada na programação televisiva dos anos 80, em Pernambuco), agarrei-me a ela nos momentos mais punk, bem como nos de maior redenção da minha vida.
Iria passar por uma cirurgia definitiva? Lá estava ela em meus pensamentos. Os médicos vaticinavam que eu nunca seria mãe? Meu pensamento era nela. Varava a madrugada sofrendo as dores do parto? Dona Ceça estava lá, olhando para mim do seu morro. Iria passar por um, por dois partos? Em ambas as vezes ela me acompanhou, através de um papelzinho que foi devidamente amassado a cada aparição violenta das contrações. Eu e minhas meninas levamos a marca - Maria - no nome. É lógico, e podem rir à vontade, mas foi uma forma de prestar nossa admiração e agradecimento.
Até fiz um paralelo com o jornalismo para 'justificar' meu post-reverência. Numa sacada de mestre, instalaram uma câmera na parte superior da imagem, aqui no Morro da Conceição, para transmissão em tempo real do "olhar da santa". Até poucos minutos, estava no ar. Agora, não mais. O link deve ter caído. Uma pena. Daria um belo comentário sobre o caráter de ubiqüidade que o jornalismo insiste em passar ao mundo. Mas que não se iguala, perdoem-me os céticos colegas, à presença natural, assustadoramente forte e igualmente singela, que a santa do oiteiro tem sobre mim e todos os seus milhares de almas vestidas de azul e branco, hoje e sempre.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
um zeitgeist só meu

sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Narciso e o espelho

terça-feira, 18 de novembro de 2008
O Quereres
Já que fiz a lição de casa e postei anteriormente sobre um pedaço da minha pesquisa, sinto-me 'livre' para um comentário parcialmente desconectado ao tema do blog.
Quando decidi embarcar de vez na vida acadêmica, tive que, naturalmente, fazer escolhas. Larguei meus dois empregos estáveis (nunca pensei que seria tão difícil entregar a 'azulzinha' no departamento pessoal) e, junto a eles, um relativo conforto material e uma despreocupação com assuntos bancários.
Adeus carro, corridas de táxi, gastos 'supérfluos' (se alguém souber de um arreio para barrar a visão de algumas lojas, me avise) e bem-vinda estava eu ao mundo estudantil novamente, formado por uma bolsa de pesquisa e freelas ocasionais.
Demorei pelo menos uns seis meses para cair na real. Seria extremamente demagógico da minha parte afirmar que está sendo tudo lindo e romântico. Não há lá muita beleza em voltar a andar de ônibus depois de tanto tempo. Bem como não é com um sorriso no rosto que penso na mensalidade da escola das minhas filhas e contas em geral.
No entanto, dá para extrair uns momentos interessantes - na falta de melhor palavra - desse novo modus vivendi. Principalmente depois que perdi meu olhar de turista, para adquirir o olhar de uma 'local' que ainda se admira com as coisas 'pequenas' do cotidiano.
Na segunda-feira, voltando da Universidade para casa, no final da tarde, acompanhei uma cena que não me saiu da cabeça. No trajeto do ônibus, uma mulher com dois filhos pequenos sentou-se à minha frente. Bem arrumados e humorados, os meninos olhavam curiosos para tudo o que aparecesse pela janela.
Travaram uma 'conversa' com passageiros de um carro que parou ao lado do ônibus quando o sinal fechou. Quando o farol abriu, eles acenaram aos rapazes, que aceleraram e passaram à frente na avenida. O mais novo (uns quatro anos) virou-se para a mãe e disparou: "Mãe, eu quero andar de carro! Por que a gente não 'tá num?" A mãe olhou para ele, mas não respondeu. O mais velho (seis anos) tratou de satisfazer a curiosidade do irmão: "É porque a gente não pode, né, mãe?". A mulher desviou o olhar dos meninos e, nesse momento, cruzou o olhar com o meu. Covardamente, confesso, eu também desviei.
Lá e cá, tal e qual
No período de 21 de setembro de 2007 a 17 de outubro de deste ano, cataloguei e analisei 47 notícias sobre estrangeiros na Alemanha e nordestinos no Brasil, nos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Süddeutsche Zeitung e Augsburger Allgemeine. No caso da Alemanha, 16 matérias, e do Brasil, 31 textos. Faz parte de um artigo sobre o uso deliberado de elementos de 'objetividade' no jornalismo, de modo a encobrir estereótipos e conceituações de senso comum.
Segue um breve 'retrato' midiatizado de nordestinos e estrangeiros, pela amostra analisada:
Nordestinos em jornais do Sudeste | Estrangeiros em jornais alemães |
Pobre/sem recursos – 20,5% das recorrências | Recusa-se ou dificulta integração – 11,9% das recorrências |
Trabalhador/Esforçado –16% | Baixa escolaridade/Despreparado 9,5% |
Associação à seca – 10,2% | Pobre/sem recursos/sub-empregado – 7 |
Criativo/Talento artístico – 7,3% | Vítimas do preconceito/dificuldades – 9,5% |
Tradicionalista/Conservador – 10,2% Religioso/Supersticioso – 7,3% | Pouca ou nenhuma fluência no idioma –9,5% |
Pessoas caricaturais/exóticas – 5,8% | |
Vontade/necessidade de migrar – 4,4% | Relação com criminalidade –7% |
Solidário – 4,4% | Vontade/necessidade de imigrar 7% |
Associação ao cangaço – 2,9% | Trabalhador/esforçado –7% |
Gosto pelo jogo – 2,9% | Associação ao desemprego –7% |
Humildade – 2,9% | Tradicionalismo/Conservadorismo –4,7% |
Forasteiro, inadimplente, persistente, desapegado ao trabalho, amante da natureza, associação à violência e ao desemprego, com 1 recorrência cada (1,4% cada) | Temperamento afável –2,3% |
Criatividade/Talento artístico 2,3% | |
Mau caratismo –2,3% | |
Excesso de estrangeiros no País –2,3% |
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
O self, o ID, ou seja lá quem for




