quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

João do Rio

Numa dessas coincidências inexplicáveis, ou sicronicidades junguianas, como queiram, estava eu a me lembrar de que precisava ler mais João do Rio quando esbarro, no mesmo instante, com o seu Alma Encantadora das Ruas (aqui em pdf) numa estante da Livraria Cultura, numa edição bem em conta.

Hoje não vou me alongar, mas queria destacar um pensamento desse nosso 'patrono' dos repórteres e cronistas. Falando sobre as características necessárias para se entender a 'psicologia' das ruas, coisa que ele, Paulo Barreto (seu nome verdadeiro), fazia com maestria de gênio, conta o que cabe, para mim, como a melhor definição de repórter já feita. Mesmo que, em princípio, ele se referisse à qualidade de observador do dia-a-dia do comum das gentes, sendo jornalista ou não. Ei-la:

"É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneuer e praticar o mais interessante dos esportes - a arte de flanar. É fatigante o exercício? (...) Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem."

Flanemos, pois, colegas. Flanemos!

(em tempo, a obra desse genial flâneur pode ser acessada, gratuitamente, através da biblioteca digital Domínio Público, no link http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=53)

2 comentários:

Felipe disse...

Olá, Adriana! Um ótimo 2009! Que nesse Ano Novo você tenha muita paz, saúde e alegria, sem nunca deixar de cultivar a arte de flanar...

Ana Braga disse...

Adriana, tudo em paz? É Ana Braga quem deixa o post. Tenho A Alma Encantadora como livro de cabeceira. Delicada e sabidamente, João do Rio deixa a gente à vontade nas ruas, esquinas e calçadas da aristocracia carioca. O cenário específico do livro, entretanto, não limita a leitura da gente. Ao contrário, inspira a gente a observar o cotidiano de qualquer lugar. Adoro mesmo esse livro. Um grande abraço.