segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Posturas e imposturas jornalísticas

Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria (Borges)
Olá aos que navegam neste mar,

Este breve (quase fugidio) post é só para socializar texto recém-publicado na Revista Em Questão, da UFRGS. Leiam, passem a vista, repassem, ignorem... Só não deixem de comentar!

O repórter e o jornalista cordial : Sobre posturas e (im)posturas no jornalismo

Adriana Santana

Resumo
Tomando a apuração jornalística como ponto-chave de análise, este artigo tem como propósito a delimitação e descrição do espaço que a investigação, a pesquisa, o apuro com a informação, ocupam no modus operandi jornalístico contemporâneo. De modo a visualizar o papel que o processo de investigação atua no ‘produto final’ do fazer jornalístico, optou-se como método a elaboração uma matriz de critérios que dimensionem a presença de elementos de apuração jornalística em textos noticiosos. Essa proposta analítica foi aplicada na avaliação de matérias efetivamente publicadas, trazendo como conclusões uma primeira tentativa de se identificar como os critérios de apuração são utilizados e, ainda, de que modo o uso ou descarte de alguns desses elementos podem contribuir à qualidade informativa do texto jornalístico.

domingo, 20 de setembro de 2009

Extra-muros


Bons ventos que trazem as boas novas.

Aprovado pela UFPE nosso projeto de extensão com o Diario de Pernambuco, com vistas a analisar e capacitar a iniciativa de jornalismo colaborativo do veículo. Alunos de graduação, mestrado e doutorado envolvidos na empreitada.

Mais detalhes neste link.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Na rua


Ver a pesquisa saindo da gaveta, caminhando a passos largos pela rua, numa quase-independência, sendo vista, analisada e discutida por outras pessoas fora do circuito acadêmico; era tudo isso o que me faltava, e é o que acaba de começar a acontecer com a minha tese.

Iniciei, de fato, o trabalho de campo, e aparte a falta de jeito e incômodos iniciais (quem ainda acha que trabalho etnográfico é só olhar os outros com imperceptível cara de paisagem, perdão, mas caiu do cavalo em disparada), está sendo uma lufada de brisa marinha nos meus escritos.

A minha observação das rotinas de apuração num jornal irá durar nove meses. Sim, um novo parto. Mas já sei, de antemão, que essas 'contrações' me trarão a tão visada (por mim) desburocratização do texto acadêmico e a aproximação, com a bênção de João do Rio, à "alma encantadora das ruas".
(dica bibliográfica e meu atual livro de cabeceira: BEAUD, Stéphane;WEBER, Florence. Guia para a Pesquisa de Campo: produzir e analisar dados etnográficos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Caminhando (e nadando)

Seguindo o mantra de Dori, a peixe louquinha e fofa de Procurando Nemo: "continue a nadar, continue a nadar"


Salvem, marinheiros da nau. Os posts são poucos porque muitas as atividades. Para me redimir, neste link, em formato pdf, vocês poderão acompanhar artigo que escrevi sobre o jornalismo em blogs, tendo como pano de fundo a experiência do PEbodycount. O texto foi publicado na última edição da Revista Cultura Midiática, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.

Em relação à tese, dei início ao trabalho de campo (que se encontra temporariamente em suspenso, pois ainda não encontrei uma 'fórmula' ou formato ideal ao trabalho de etnografia que proponho para acompanhar as rotinas de produção nas redações). A partir do dia 20, devo ter novidades.

O mês de julho é para escrever e levantar material, o que tenho feito aliado à necessidade de entreter minhas pequenas com atividades neste mês de férias escolares, além de dar aulas em módulos de pós-graduações.

Também estamos iniciando um projeto de extensão universitária, uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade. Em breve, boas novas. E nessa caminhada vai-se fazendo o meu caminho. Um dia chego ao destino. Enquanto isso, continuo a nadar.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

borgeanas




Alquebrada após um final-de-semana de muito trabalho, me deparo com este texto delicioso (abaixo) de Roberto Pompeu de Toledo. E não é que a vida pode ser mesmo bela, pombas?

___________________________________

Roberto Pompeu de Toledo Palavras no muro

"Prepare-se o leitor para o sublime encontro entre
um autor anônimo, possivelmente sujo, talvez faminto
e desocupado, e um dos luminares da literatura"

O amor é importante, pombas. No original, não é "pombas". É um palavrão, que também começa com "po". A frase, desenhada com as letras angulosas e sem curvas dos grafiteiros, nas últimas semanas tomou conta de muros, paredes e beiradas de viadutos de São Paulo. Enfim, um grafiteiro inteligente. Ou poético, ou pungente, dependendo do estado de espírito de quem o lê. "O amor é importante, po", de autoria desconhecida, eleva o grafite paulistano da habitual indigência ao nível dos clássicos do ramo produzidos no maio de 1968 francês – "A imaginação no poder", "Seja realista: exija o impossível", "É proibido proibir".

O segredo da frase é a palavrinha que começa com "po" aposta à oração principal. É o que faz que um pensamento banal adquira vísceras e atinja o leitor. "O amor é importante", sozinho, seria uma bobagem. Ocorre que o grafiteiro queria dizer exatamente isso, que o amor é importante. Encontrou um jeito de driblar o lugar-comum ao socorrer-se do palavrão. O palavrão contrapõe-se à pieguice do desabafo sentimental e o redime. A violência do expletivo chulo compensa a moleza do pensamento central. Produz-se o inesperado. E o rabisco na rua alcança o patamar da beleza literária.

Esse mesmo fenômeno de uma expressão secundária, na frase, sobrepor-se ao principal e salvá-la encontra-se em… (em quê? em quem? …prepare-se o leitor para saltar dos clandestinos assaltos aos muros de São Paulo para os textos antológicos da literatura universal) …em Jorge Luis Borges. Não que se queira comparar o desconhecido grafiteiro com o criador do Aleph (ou melhor: é o que se quer, sim; prepare-se o leitor para o sublime encontro entre um autor anônimo, possivelmente sujo, talvez faminto, quase certamente desocupado, cuja diversão é vagar pelas ruas da cidade nas horas vazias da noite, e um dos luminares da literatura do século XX). O recurso empregado em "O amor é importante, po" é o mesmo de dois versos do poema La Luna, de Borges:

"Según se sabe, esta mudable vida

Puede, entre tantas cosas, ser muy bella".

A ideia central, a de que a vida pode ser bela, é simplória como a de que o amor é importante. A maravilha dos versos se deve ao "segundo se sabe" com que se abrem e ao "entre tantas coisas" que precede a qualificação da vida. Eis, de novo, a mágica de componentes secundários da frase – dois, neste caso – tomarem o lugar do principal e o modificarem a ponto de conferir-lhe estatuto de obra de arte. O "segundo se sabe" prepara o espírito para algo já muito repisado, e com isso ameniza a banalidade do que virá a seguir, mas não está aí seu efeito principal. Mais relevante é que se trata de uma expressão marcadamente prosaica, frequente em peças de argumentação, aquelas em que se procura defender um ponto, como um editorial de jornal, uma tese acadêmica ou um arrazoado de advogado. Encontrá-la num poema, a escorar um luminoso momento de encantamento com a vida, produz um contraste da mesma família do palavrão sacado pelo grafiteiro para sublinhar o recado de que o amor é importante.

O "entre tantas coisas" abre ao infinito o leque de feições que pode assumir a vida. Nenhuma surpresa. A vida pode ser bela, mas pode ser muitas outras coisas, feia inclusive. "Vida", como mulher fácil, pode ir com qualquer adjetivo. Mas aí que está. Se a vida pode ser também feia, trágica, cruel, frustrante e dura, além de agradável, surpreendente ou reconfortante, quando nos damos conta de que, "entre tantas coisas", ela pode também ser bela, aí sim é que se torna mais bela ainda. Se Borges tivesse apenas escrito que a vida pode ser bela, que decepção, para um escritor de sua estatura. Seria como se o grafiteiro afirmasse que o amor é importante, e ponto final. Ao escrever que a vida "puede, entre tantas cosas, ser muy bella", ele a torna extraordinariamente bela, ofuscantemente bela.

Se a frase do grafiteiro é digna de Borges, como aqui se procurou demonstrar, a recíproca é verdadeira. Borges é também digno do grafiteiro. Não. Não dá para imaginar o argentino, spray na mão, a esgueirar-se na noite, em busca do muro mais imaculado para aplicar sua marca, isso não. Mesmo porque enxergava mal e podia acidentar-se. Mas dá para imaginar o "Según se sabe, esta mudable vida…" aplicado a um muro, uma parede, uma beirada de viaduto. O efeito seria o mesmo do "O amor é importante, po". O de uma pausa, uma surpresa e um renovador respiro, em meio à selva da cidade.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Para loucos


Turma do I Curso de Extensão em Jornalismo Investigativo


"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte." (GGMárquez)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

I Curso de Extensão em Jornalismo Investigativo: Teoria e Prática


Data: 18 a 29 de maio de 2009(segundas às sextas)
Local:
Auditório do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGCOM/UFPE)
Horário:
18h30 às 21h
Investimento:
R$ 250,00
Inscrições e informações:
cursojornalismoinvestigativo@gmail.com e pelos fones 81 8894.6029 e 3269.6029
Apoio:
PPGCOM/UFPE e PEbodycount (www.pebodycount.com.br)

O curso será ministrado por:

Adriana Santana
Jornalista, Mestre e Doutoranda em Comunicação pela UFPE. Integra o Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade, com tese sobre o rigor do método de apuração jornalística. Com o conceito de 'jornalismo cordial', analisa a falta de investigação no jornalismo contemporâneo.

Eduardo Machado
Jornalista (UFPE), repórter especial do Jornal do Commercio. Vencedor dos prêmios de jornalismo Esso, Embratel, Vladmir Herzog e Cristina Tavares com reportagens sobre Direitos Humanos e Segurança Pública.

Objetivos
Dotar os participantes de noções aprofundadas das técnicas de apuração no jornalismo contemporâneo, aliando o conhecimento teórico acadêmico à prática profissional cotidiana. Produzir, como produto final, uma reportagem coletiva.

Ementa
Identificar origens da investigação na atividade jornalística;
Estabelecer parâmetros do que é e como se dá a apuração;
Discutir acerca da relevância da pesquisa/apuração no processo jornalístico;
Apresentar técnicas de gestão de informações eletrônicas e uso de bancos de dados para o desenvolvimento de reportagens;
Analisar matérias jornalísticas sob o viés da investigação;
Aplicar técnicas de apuração para a construção de textos jornalísticos

Os participantes receberão certificado emitido pelo PPGCOM/UFPE