
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Na rua

quarta-feira, 8 de julho de 2009
Caminhando (e nadando)
Seguindo o mantra de Dori, a peixe louquinha e fofa de Procurando Nemo: "continue a nadar, continue a nadar"Salvem, marinheiros da nau. Os posts são poucos porque muitas as atividades. Para me redimir, neste link, em formato pdf, vocês poderão acompanhar artigo que escrevi sobre o jornalismo em blogs, tendo como pano de fundo a experiência do PEbodycount. O texto foi publicado na última edição da Revista Cultura Midiática, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.
Em relação à tese, dei início ao trabalho de campo (que se encontra temporariamente em suspenso, pois ainda não encontrei uma 'fórmula' ou formato ideal ao trabalho de etnografia que proponho para acompanhar as rotinas de produção nas redações). A partir do dia 20, devo ter novidades.
O mês de julho é para escrever e levantar material, o que tenho feito aliado à necessidade de entreter minhas pequenas com atividades neste mês de férias escolares, além de dar aulas em módulos de pós-graduações.
Também estamos iniciando um projeto de extensão universitária, uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade. Em breve, boas novas. E nessa caminhada vai-se fazendo o meu caminho. Um dia chego ao destino. Enquanto isso, continuo a nadar.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
borgeanas

Alquebrada após um final-de-semana de muito trabalho, me deparo com este texto delicioso (abaixo) de Roberto Pompeu de Toledo. E não é que a vida pode ser mesmo bela, pombas?
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Roberto Pompeu de Toledo Palavras no muro
"Prepare-se o leitor para o sublime encontro entre
um autor anônimo, possivelmente sujo, talvez faminto
e desocupado, e um dos luminares da literatura"
O amor é importante, pombas. No original, não é "pombas". É um palavrão, que também começa com "po". A frase, desenhada com as letras angulosas e sem curvas dos grafiteiros, nas últimas semanas tomou conta de muros, paredes e beiradas de viadutos de São Paulo. Enfim, um grafiteiro inteligente. Ou poético, ou pungente, dependendo do estado de espírito de quem o lê. "O amor é importante, po", de autoria desconhecida, eleva o grafite paulistano da habitual indigência ao nível dos clássicos do ramo produzidos no maio de 1968 francês – "A imaginação no poder", "Seja realista: exija o impossível", "É proibido proibir".
O segredo da frase é a palavrinha que começa com "po" aposta à oração principal. É o que faz que um pensamento banal adquira vísceras e atinja o leitor. "O amor é importante", sozinho, seria uma bobagem. Ocorre que o grafiteiro queria dizer exatamente isso, que o amor é importante. Encontrou um jeito de driblar o lugar-comum ao socorrer-se do palavrão. O palavrão contrapõe-se à pieguice do desabafo sentimental e o redime. A violência do expletivo chulo compensa a moleza do pensamento central. Produz-se o inesperado. E o rabisco na rua alcança o patamar da beleza literária.
Esse mesmo fenômeno de uma expressão secundária, na frase, sobrepor-se ao principal e salvá-la encontra-se em… (em quê? em quem? …prepare-se o leitor para saltar dos clandestinos assaltos aos muros de São Paulo para os textos antológicos da literatura universal) …em Jorge Luis Borges. Não que se queira comparar o desconhecido grafiteiro com o criador do Aleph (ou melhor: é o que se quer, sim; prepare-se o leitor para o sublime encontro entre um autor anônimo, possivelmente sujo, talvez faminto, quase certamente desocupado, cuja diversão é vagar pelas ruas da cidade nas horas vazias da noite, e um dos luminares da literatura do século XX). O recurso empregado em "O amor é importante, po" é o mesmo de dois versos do poema La Luna, de Borges:
"Según se sabe, esta mudable vida
Puede, entre tantas cosas, ser muy bella".
A ideia central, a de que a vida pode ser bela, é simplória como a de que o amor é importante. A maravilha dos versos se deve ao "segundo se sabe" com que se abrem e ao "entre tantas coisas" que precede a qualificação da vida. Eis, de novo, a mágica de componentes secundários da frase – dois, neste caso – tomarem o lugar do principal e o modificarem a ponto de conferir-lhe estatuto de obra de arte. O "segundo se sabe" prepara o espírito para algo já muito repisado, e com isso ameniza a banalidade do que virá a seguir, mas não está aí seu efeito principal. Mais relevante é que se trata de uma expressão marcadamente prosaica, frequente em peças de argumentação, aquelas em que se procura defender um ponto, como um editorial de jornal, uma tese acadêmica ou um arrazoado de advogado. Encontrá-la num poema, a escorar um luminoso momento de encantamento com a vida, produz um contraste da mesma família do palavrão sacado pelo grafiteiro para sublinhar o recado de que o amor é importante.
O "entre tantas coisas" abre ao infinito o leque de feições que pode assumir a vida. Nenhuma surpresa. A vida pode ser bela, mas pode ser muitas outras coisas, feia inclusive. "Vida", como mulher fácil, pode ir com qualquer adjetivo. Mas aí que está. Se a vida pode ser também feia, trágica, cruel, frustrante e dura, além de agradável, surpreendente ou reconfortante, quando nos damos conta de que, "entre tantas coisas", ela pode também ser bela, aí sim é que se torna mais bela ainda. Se Borges tivesse apenas escrito que a vida pode ser bela, que decepção, para um escritor de sua estatura. Seria como se o grafiteiro afirmasse que o amor é importante, e ponto final. Ao escrever que a vida "puede, entre tantas cosas, ser muy bella", ele a torna extraordinariamente bela, ofuscantemente bela.
Se a frase do grafiteiro é digna de Borges, como aqui se procurou demonstrar, a recíproca é verdadeira. Borges é também digno do grafiteiro. Não. Não dá para imaginar o argentino, spray na mão, a esgueirar-se na noite, em busca do muro mais imaculado para aplicar sua marca, isso não. Mesmo porque enxergava mal e podia acidentar-se. Mas dá para imaginar o "Según se sabe, esta mudable vida…" aplicado a um muro, uma parede, uma beirada de viaduto. O efeito seria o mesmo do "O amor é importante, po". O de uma pausa, uma surpresa e um renovador respiro, em meio à selva da cidade.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Para loucos

Turma do I Curso de Extensão em Jornalismo Investigativo"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte." (GGMárquez)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
I Curso de Extensão em Jornalismo Investigativo: Teoria e Prática
Data: 18 a 29 de maio de 2009(segundas às sextas)
Local: Auditório do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGCOM/UFPE)
Horário: 18h30 às 21h
Investimento: R$ 250,00
Inscrições e informações: cursojornalismoinvestigativo@gmail.com e pelos fones 81 8894.6029 e 3269.6029
Apoio: PPGCOM/UFPE e PEbodycount (www.pebodycount.com.br)
O curso será ministrado por:
Adriana Santana
Jornalista, Mestre e Doutoranda em Comunicação pela UFPE. Integra o Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade, com tese sobre o rigor do método de apuração jornalística. Com o conceito de 'jornalismo cordial', analisa a falta de investigação no jornalismo contemporâneo.
Eduardo Machado
Jornalista (UFPE), repórter especial do Jornal do Commercio. Vencedor dos prêmios de jornalismo Esso, Embratel, Vladmir Herzog e Cristina Tavares com reportagens sobre Direitos Humanos e Segurança Pública.
Objetivos
Dotar os participantes de noções aprofundadas das técnicas de apuração no jornalismo contemporâneo, aliando o conhecimento teórico acadêmico à prática profissional cotidiana. Produzir, como produto final, uma reportagem coletiva.
Ementa
Identificar origens da investigação na atividade jornalística;
Estabelecer parâmetros do que é e como se dá a apuração;
Discutir acerca da relevância da pesquisa/apuração no processo jornalístico;
Apresentar técnicas de gestão de informações eletrônicas e uso de bancos de dados para o desenvolvimento de reportagens;
Analisar matérias jornalísticas sob o viés da investigação;
Aplicar técnicas de apuração para a construção de textos jornalísticos
Os participantes receberão certificado emitido pelo PPGCOM/UFPE
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Jornalismo de gatos e lebres
(texto originalmente publicado no Suplemento Cultural Pernambuco, edição de abril de 2009)
Tenho medo, muito medo mesmo, dos puristas. Mas antes um puritanismo às claras do que a cultura do deus-dará disfarçada de avant garde. O campo minado do jornalismo é terreno fertilíssimo para a defesa da anarquia e frouxidão da ética disfarçadas de mudernidade.
Quem insiste num mínimo de rigor de método e respeito a regras simples no jornalismo pode ser facilmente taxado de démodé nos dias contemporâneos, acusado de ir contra a maré da democratização do pólo emissor, de querer refrear a onda libertária da comunicação de todos para todos ou de viver numa era que já passou.
Eu sou a favor de tudo isso: democratizar o acesso, proporcionar que outras fontes e outras vozes não só apareçam na imprensa, como também produzam conteúdo, de se fazer um jornalismo sobre o comum das gentes, calcado não apenas em efemérides e em fatos ‘obrigatórios’. Mas nem por essas razões eu me permito aderir à hibridização do jornalismo com a publicidade, por exemplo.
E que não me venham com a já enfadonha e indigesta discussão do “não existe objetividade e imparcialidade possível” na atividade jornalística. E não existe mesmo, naturalmente, mas Walter Lippman já cutucava os possíveis detratores dos jornalistas, na década de ’20 do século passado, lembrando que o método de investigação jornalística é que precisa ser objetivo, não os jornalistas.
Mesmo descontando o tom, por vezes, catastrófico (do qual comungo), o pesquisador em Comunicação Leandro Marshall cunhou o termo “jornalismo transgênico” para descrever o que seria essa forma ‘híbrida’ entre os gêneros jornalístico e publicitário. Essa hibridização responderia pelo fato de um gênero com finalidade publicitária (release ou texto produzido por uma assessoria de imprensa para divulgar temas de interesse de um cliente) trazer o formato de um gênero de domínio jornalístico (matéria, reportagem, texto jornalístico). Esse filhote intergêneros pode ser visto facilmente, quase que todos os dias, em veículos de comunicação mundo afora.
Um exemplo são os famigerados encartes, sem diferenciação tipográfica ou mesmo de estilo editorial, publicações pagas por instituições públicas e privadas, geralmente um resumo – em forma de reportagens – do que tal empresa realizou num determinado período de tempo.
Prefeituras e estatais são campeãs desse tipo de ‘serviço jornalístico’, que, não custa ressaltar, muitas vezes não vem identificado como material de cunho publicitário, e não poucas vezes é escrito, fotografado e editado pelos mesmos profissionais que fazem parte do corpo de jornalistas contratados desse veículo. Ou seja, os jornalistas que escrevem esses textos ‘encomendados’ são os mesmos que trabalham para levar ao público informações conseguidas através do trabalho diário de apuração.
É claro que são os anúncios que fazem o jornalismo andar e existir, e a relação entre essas duas esferas, apesar de tantos aspectos diferentes em relação à forma, conteúdo e até objetivos, possuem vários pontos de convergência. A passagem do jornalismo com função propagandista para a informativa, por exemplo, só foi possível após a desvinculação econômica dos jornais dos financiamentos políticos, ainda no século 19, como ressalta o teórico português Nélson Traquina.
Só com as receitas publicitárias, ou na transformação do jornalismo em negócio e não mais apenas instrumento de disseminação ideológico-partidária, é que os veículos adquiriram mais independência. No Brasil, o primeiro jornal diário a circular, o Diário do Rio de Janeiro, fundado em 1821, inaugurou o periodismo de anúncios e informações no País. Publicava preços de produtos, anúncios de compra e venda, informes de propaganda e particulares e, assim, apresentava um panorama do dia-a-dia dos 160 mil habitantes da cidade de então.
O nó da questão reside no propósito, no compromisso maior – ao menos em teoria – desses dois lados da moeda. Natural que o jornal ou a revista não irá publicar, com raras exceções, notícias que sejam prejudiciais aos proprietários, aliados políticos e parceiros comerciais. Mas o compromisso final, aquele que deveria nortear as suas ações, continua sendo o interesse público. Ao passo em que o fim e o meio do campo publicitário e comercial é o cliente.
O jornalismo desenvolvido via acordos comerciais, apesar de se valer de algumas técnicas e preocupações inerentes à atividade jornalística, aproxima-se sobremaneira do terreno publicitário. O que não seria nenhum pecado capital caso ficasse claro, ao leitor, de onde e por quem se fala. Dar nome aos bois já seria uma tremenda atitude de lealdade e respeito para com o cidadão que pensa estar comprando uma lebre de informação, mas que no final das contas acaba levando mesmo é gato disfarçado.
terça-feira, 24 de março de 2009
Santo de casa

Assistindo a uma interessantíssima palestra, ontem, de um professor da Universidade de Provença (sul da França), a respeito de suas pesquisas sobre representações sociais, não pude conter a surpresa quando percebi que o corpus utilizado pelo pesquisador era em boa parte formado por material publicado na imprensa francesa.
Aí converso cá com os meus botões. Se outras áreas do conhecimento - nesse caso, psicologia social - transitam confortavelmente pela seara jornalística, onde reside mesmo o problema da área de comunicação, que tem resistido cada vez mais (ao menos neste Brasil varonil) a se debruçar sobre seus próprios objetos? Por que a comunicação na Academia resiste tanto em aguçar o olhar por sobre o jornalismo?
Mero preconceito? Ranço? Tentativa de fugir de um possível lugar-comum? Vontade, frustrada, de imprimir uma cientificidade além da normal, fugindo do próprio quintal (objetos e ferramentas comunicacionais) para avançar no quintal do vizinho (objetos outras e ferramentas, idem, caras a outras áreas do conhecimento)?
Ao final das contas, camaradas, acho que o problema reside mesmo num embate tão antigo quanto as paixões humanas. Aquele que fundamenta a máxima de que santo de casa quase nunca faz milagres.
